“Nós precisamos mais da moda do que das roupas, não para cobrir nossa nudez, mas para vestir nossa auto-estima”.Collin McDowell

A roupa ajuda o individuo a ser mais confiante, expressa sua personalidade, e o mais importante, em meio a um grupo de convivência, ajuda o individuo a se diferenciar. Tentamos nos diferenciar de várias maneiras. Fazemos tatuagens, usamos roupas que nos incluem em algum tipo de grupo (tribos), fazemos nosso visual exatamente para tentar pertencer algum grupo. Porém, com a fabricação de produtos em massa, fica cada vez mais difícil se diferenciar, visto que tudo é praticamente igual. É ai que entra a customização.

1455439148_aa68f40bc2_m.jpg

A palavra customização, que até pouco tempo não existia na língua portuguesa, foi criada para traduzir uma expressão em inglês – custom made - significa então sob medida, e do verbo ” to customize”, que significa “adaptado a gosto pessoal”. Nessa onda, customizar significa reciclar, transformar o básico numa nova peça, única, exclusiva, seja com recortes, apliques, costuras decorativas, lantejoulas, pedrarias, babados, botões, tingimentos, pinturas, dentre outras infinidades de maneiras e materiais utilizáveis. É um verdadeiro “vale tudo” para a obtenção de roupas e acessórios únicos, diferentes daqueles produzidos em série.

Nessa onda entra a cultura Sneaker. Para quem não conhece, Sneakerhead é a denominação dada ao cara que coleciona tênis. Porém não são qualquer tipo de tênis. Além dos clássicos, o sneakerhead sempre tenta adquirir os modelos raros, que tem tiragem limitada. É a constante busca por se diferenciar. Depois de muito tentar se diferenciar pelas roupas, camisas, chapéus, e todo tipo de acessório, agora é o tênis o novo hype do momento para os consumidores mais modernos.

jor-one-sneakers-1.jpg

Segundo Ricardo Nunes, um dos principais conhecedores dessa cultura aqui no Brasil, o surgimento da cultura sneaker no mundo não é um fenômeno recente e está relacionado a outros importantes movimentos mundiais, como o reconhecimento da street art (hip-hop, graffiti…), a visibilidade conseguida por alguns modelos de tênis graças a ícones do universo musical, ídolos do esporte e seus contratos com grandes marcas, e a popularização de esportes com uma pegada mais street, como o skate e o basquete de rua.

Alias, o Ricardo é o idealizador do maior site sobre essa cultura aqui no Brasil, o SneakersBR, site que eu sou leitor diário a um bom tempo. Quem está curtindo o assunto eu sugiro a visita no site dele.

eyes2.jpg
Campanha do site SnekersBR criada pela F/Nazca: “Se você daria qualquer coisa por um par de sneakers, esse é o seu lugar”.

Voltando ao assunto, vemos nesses consumidores a possibilidade de um intenso trabalho por parte das marcas de calçados, criando edições comemorativas, limitadas, eventos e ações diferentes com esse público. Vale lembrar que o cara que compra um sneaker está disposto a pagar R$ 300, R$ 500, para não dizer preços mais altos.

O fato é que a cultura sneaker é um nicho de mercado emergente e de alto valor. As marcas de tênis precisam ver o potencial dessa cultura e trabalhar com seus seguidores cada vez melhor. O que vemos hoje é que isso realmente está acontecendo no exterior, porém temos poucas movimentações aqui no Brasil. Ou vai dizer que em uma roda de amigos, esse consumidor que tem um conhecimento superior sobre os produtos, não irá influenciar os amigos?