
Eu me lembro perfeitamente como se fosse ontem, quando eu ainda morava na casa da minha vó, e lá por perto vivia um mendigo um pouco fora do comum.
Raimundo era o nome dele, reconhecido não só pelas pessoas dos bairros que ele habitava esporádicamente, mas o Raimundo tinha conteúdo, algo original para mostrar.
O cara era um baita escritor, um poeta alucinado, não digo renomado, porém não faltava muito para isso. Letras que davam inveja a qualquer caligrafista.
Bom, creio eu que seria ele uma pessoa inteligente que caiu na tentação da liberdade infundada, e que instantâneamente enlouqueceu de vez, já que as vezes dava uns piripaques e ele saía pelas ruas gritando com um pincel na mão.
Para quem ainda duvida da capacidade intelectual desses seres humanos desprovidos de teto, um morador de rua norte americano também produz um conteúdo, mas consegue se auto divulgar de maneira bastante inusitada.
Vejam só esse artigo publicado ontem pelo YesButNotButYes.
Resumindo e traduzindo aqui o que foi dito lá, é o seguinte.
Um executivo trabalha em um prédio comercial, onde na fente “reside” um mendigo, carinhosamente chamado de Frank, um simples mortal que não tem onde cair morto, mas tem muito o que falar , dizer e escrever, só que esse “Raimundo” da era “2.0″ relatas situações vividas por ele e pela cidade, nada mais nada menos que no Twitter, isso mesmo, tudo descrito nesse microblogging que virou moda entre os blogueiros de plantão assim como eu.
O executivo que trabalha na frente do mendigo, fez uma “permuta” com o Frank, onde ele paga um almoço ao sem-teto, em troca dele relatar tudo o que presencia na cidade grande para o executivo solidário, que edita e corrigi a ortografia e gramática para postar no Twitter, criando assim o famoso Twitter do Homeless.
Sempre é bom ver que estamos vivenciando esse novo modelo de interação das pessoas com o seu próprio conteúdo, já que o Raimundo que eu conheci daquela época escrevia seus poemas e artigos para apenas ele e poucos curiosos apreciarem, hoje o mendigo Frank, que presencia essa fase da web 2.0, pode dispor seu conteúdo para qualquer pessoa acompanhar e colaborar, isso é ou não fantástico?
Para quem quiser seguir o Frank em seu Twitter, esse é o endereço:
http://twitter.com/homelessfrank
E quem ainda dúvida da intelectualidade do nosso amigo Raimundo, acompanhem essa
entrevista que ele concedeu para um site em 2005.
http://www.cranik.com/entrevista16.html
A matéria sobre o Frank eu vi no Twitter do Daniel Jacob
Show de bola!
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2 Responses for "O mendigo twitteiro"
Muito boa a matéria, porém ela tem dois pontos de vista. O primeiro pela área da tecnologia, onde é show de bola que um mendigo consiga passar sua percepção de mundo paara várias pessoas através de uma ferramenta de web 2.0. Por outro lado, não sei se é muito legal trocar um almoço por informação. Vc ta tratando com uma pessoa que pode morrer de fome, quer dizer que se ele não te fala nada naquele dia tu não paga nada pra ele. As vezes parece que nós seres humanos somos muito egoistas pra certas coisas.
Espero que descubram o mendigo através do seu twitter, e que ajudem ele a sair dessa. é o mínimo que a sociedade poderia fazer.
Muito boa a matéria! Abraço!
Belo artigo Gabriel.
Genial isso!
Abração,
Felipe Loureiro
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