Falamos no post anterior sobre a sociedade de consumo e a liberdade de escolhas para formar uma identidade. Nesse post abordarei outras perspectivas. Inicialmente, falar que é a liberdade de escolhas que a sociedade de consumo nos oferece que torna o consumo ilimitado e insaciável. Ele é ilimitado pelo fato de sempre haver propostas de ofertas de produtos e serviços no mercado. E insaciável porque estamos sempre querendo mais. Era neste ponto que queria chegar. Se pararem para refletir, o “novo” é inextinguível.

A autora Beatriz Sarlo faz uma pequena metáfora sobre isso. Antigamente, existiam pessoas que colecionavam selos. E cada colecionador de selos sabia o valor de cada um para sua coleção. Quanto mais o tempo passava, mais valor os selos ganhavam. Mas o que acontece hoje? Acontece um fenômeno chamado “colecionador às avessas”. Desejamos um monte de produtos ou serviços. Isto é fato. Mas a partir do momento que conseguimos colocar a mão no “novo”, este perde o valor para nós. Ele perde a alma e neste momento partimos em busca de algo mais novo.
Isto acontece porque o tempo de uso do produto em questão é muito pequeno. E o que nós, profissionais de comunicação, fizemos sobre isso? Adicionamos valor simbólico a eles. O valor de signo se torna o grande diferencial frente à concorrência, visto que sem ele o produto teria tempo de vida zero. A gente sempre quer algo novo e sempre acaba buscando isto. Vivemos em um mundo onde mesmo estando aqui e agora lendo este post, estamos pensando como seria estar em outro lugar, fazendo outra coisa. É o paradigma de imaginar que estamos no meio de um círculo, porém, desejávamos estar em alguma parte no perímetro do mesmo. Quando alcançamos o perímetro, aquele lugar se torna o centro novamente. E desta forma finalizo: será que nós consumimos para sobreviver, ou será que estamos vivos apenas para consumir?