Bom, hoje meu primeiro post da semana vai ser a dica de um blog que eu já acompanho já faz algum tempo. O nome do blog se chama Taxitramas, e ele é escrito por Mauro Castro, taxista aqui de Porto Alegre. Todos nós já pegamos taxi em algum momento. E sabemos que os taxistas pegam tudo que é tipo de passageiro. Tem taxistas que falam um monte, outros tocam o som lá em cima, outros simplesmente fica quietos. Mauro Castro tem um diferencial, ele escreve suas corridas em um blog.

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Os textos do Mauro são ótimos, com um bom conteúdo, uma boa narração e o final é sempre surpreendente. Até onde cada história é verdade nós não podemos descobrir, mas que como taxista ele é um ótimo contador de história, ah isso é verdade. Não dou algum tempo para que alguma publicação realmente descubra ele. Nem que seja a Papo de Homem. Abaixo eu vou colar dois textos deles, aproveitem a leitura!

Uma tragédia anunciada
Tudo começou quando alguns colegas de trabalho resolveram despedir-se de um amigo que estava se aposentando. Decidiram comemorar em um inferninho barato, no Centro de Porto Alegre. Foi lá que meu passageiro acabou conhecendo a mulher que o levaria à loucura.
Apaixonado pela garota de programa, ele voltou ao cabaré dias depois, mas não a encontrou mais. A dona do lugar não sabia dizer exatamente onde a jovem morava. Lembrava apenas que era em uma casa do Bairro Sarandi e que, no seu muro, havia a propaganda de um certo candidato a vereador.
Foi assim que conheci e fiquei amigo desse meu passageiro. Passamos uma tarde inteira à procura da bendita casa com o muro pintado. Acabamos achando. A casa, aliás, não era da garota, mas do namorado dela, que, por sorte, estava fora por uns tempos… Foragido da polícia.
É difícil dizer o que leva um homem maduro, casado, com situação financeira estável a se envolver em uma aventura amorosa desse tipo. O fato é que meu passageiro jogou-se de cabeça. Na esperança de afastá-la do passado, alugou um apartamento, no qual instalou sua amada. Eu o levava até lá todo o santo dia.
O ex-namorado, porém, acabou descobrindo o novo endereço da garota. Invadiu o apartamento no meio da noite. Pegou-a na cama, nos braços do amante. Matou os dois.
Não houve quem chorasse por ela. Apenas um caixão às moscas no centro de uma capela vazia. Em outro cemitério, no entanto, as pessoas se amontoavam para despedir-se do homem que morreu na cama da amante.
Meu passageiro jamais se recuperou do golpe. Visita o túmulo da garota com freqüência. Mesmo sabendo que ela o traía com o porteiro do prédio. O desgraçado que estava na cama com ela naquela noite fatídica.

Olhos negros como a noite
Minha passageira era uma mulher bela. Mesmo com visual discreto, usando um tailleur sóbrio, era impossível não notar o corpo bem desenhado que trazia sob a aparência executiva. Logo que embarcou, inundou o táxi com um perfume suave, certamente caro como a roupa que vestia.
Já era tarde, a noite avançava morna e abafada. Eu trabalhava além da conta. Como aquela corrida me levaria rumo ao meu bairro, aproveitaria a oportunidade para encerrar a jornada. Minha passageira também parecia cansada. Os cílios longos pendiam sobre seus olhos negros. Dois trabalhadores em busca do fim do dia.
Tudo aconteceu muito rápido. Um ou dois minutos. Para mim e minha passageira, no entanto, foi como se tivesse durado uma eternidade.
Eu havia parado o táxi. A mulher procurava na bolsa o dinheiro para pagar a corrida. Subitamente fomos surpreendidos pelo som de uma freada forte. De dentro de um carro, que parou atravessado em frente ao meu táxi, saltaram dois homens correndo.
Um deles ficou apontando uma arma em minha direção, exigindo que eu lhe passasse o dinheiro. O outro abriu a porta traseira e puxou a passageira para fora. Depois de lhe tirar a bolsa, o homem passou a revistá-la em busca de mais alguma coisa.
Foi quando a situação, que já parecia terrível, começou a ganhar contornos trágicos: não contente com o que havia pegado da mulher, o bandido passou a apalpar-lhe o corpo, insinuando que gostaria de levá-la consigo.
Um terceiro assaltante, que ficara ao volante do carro, começou a acelerar e gritar para seus comparsas. O homem que apontava a arma para mim correu para o carro gritando para que seu companheiro fizesse o mesmo. Por fim, os três partiram sem levar a mulher.
Depois do choque de violência, ficou o silêncio. A perplexidade. Os olhos da mulher me pareceram ainda mais cansados, mais negros que aquela noite abafada.

Mais uma prova que a internet une as pessoas e possibilita que o internauta veja a vida por outros olhos. Quer ler mais textos?

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